{"id":1085,"date":"2023-05-03T19:07:53","date_gmt":"2023-05-03T22:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1085"},"modified":"2023-05-03T19:07:53","modified_gmt":"2023-05-03T22:07:53","slug":"as-fugas-do-sagrado-e-o-paradoxal-cuidado-dos-profanos-por-kleyton-gualter-de-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2023\/05\/03\/as-fugas-do-sagrado-e-o-paradoxal-cuidado-dos-profanos-por-kleyton-gualter-de-oliveira\/","title":{"rendered":"&#8220;As fugas do sagrado e o paradoxal cuidado dos profanos&#8221;, por Kleyton Gualter de Oliveira"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O filme &#8220;O Milagre&#8221; (&#8220;The Wonder&#8221;), mostra o drama de Anna O&#8217;Donelle, uma jovem que alega n\u00e3o precisar se alimentar, sendo movida pelo &#8220;man\u00e1 do c\u00e9u&#8221;, citado na B\u00edblia. O que talvez algumas pessoas n\u00e3o saibam \u00e9 que a autora se inspirou em casos reais ocorridos durante a Era Vitoriana. A situa\u00e7\u00e3o era conhecida como &#8220;garotas jejuadoras&#8221;, mo\u00e7as alegavam n\u00e3o precisar comer, por serem movidas apenas pela f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O filme \u201cO Milagre\u201d coloca em evid\u00eancia um processo hist\u00f3rico em que muitas crian\u00e7as e adolescentes foram levadas a jejuns prolongados na Era Vitoriana, tendo como base um pensamento religioso, baseado na f\u00e9 crist\u00e3. A estrutura do filme compartilha situa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s diferentes formas de educa\u00e7\u00e3o, real\u00e7ando as press\u00f5es sociais que crian\u00e7as, adolescentes e jovens enfrentam durante as suas jornadas terrenas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A tem\u00e1tica \u201cformas de educa\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o conectivo entre \u201cO Milagre\u201d e outro filme, \u201cSementes podres\u201d, a partir do recorte de quando os pequenos humanos s\u00e3o mergulhados em molduras do pensamento radical dos adultos. Em rela\u00e7\u00e3o ao filme \u201cSementes podres\u201d, destacam-se alguns aspectos do territ\u00f3rio Iraniano. Inicialmente, mostra duas crian\u00e7as, uma crist\u00e3 e outra mul\u00e7umana, que se conhecem em um orfanato, tendo assim que superar as diverg\u00eancias para viverem a ajuda m\u00fatua.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dentre tantas especificidades dos dois filmes, gostaria de destacar\u00a0 \u201ca fuga\u201d como ato consciente ou inconsciente de sair dos processos enjauladores dos corpos e das mentes. O ato de encarcerar aparece nos dois filmes contracenando com o paradoxal cuidado de alguns adultos, inicialmente, considerados profanadores. Fato \u00e9 que n\u00e3o se adequavam \u00e0s sagradas estruturas sociais do contexto e as considerava opressoras, inclusive descobrindo barb\u00e1ries ocorridas e invisibilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O ato de fugir n\u00e3o necessariamente precisa ser descrito como sair de um lugar. Por isso, a fuga pode ser o distanciamento de algo ruim, abusivo ou constrangedor, fato descrito no filme \u201cSementes podres\u201d, particularmente no trecho em que as duas crian\u00e7as fogem do orfanato, uma pelo suic\u00eddio e outra com o auxilio de uma freira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Com esta \u00f3tica, mergulhar sobre as organiza\u00e7\u00f5es humanas na hist\u00f3ria nos condiciona a pensar o quanto insalubres s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es condicionadas pelo extremismo. Assim, os roteiros dos dois filmes entrela\u00e7am vidas e sentimentos, proporcionando reflex\u00f5es sobre aqueles que fogem de lugares extremamente adoecedores, descortinando as percep\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de crian\u00e7as, adolescentes e jovens que buscam instrumentos de fuga, ap\u00f3s intermitentes pedidos de socorro, geralmente inaud\u00edveis aos ouvidos dos adultos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Existem milh\u00f5es de ap\u00e1tridas em todo o mundo. Eles e elas s\u00e3o quase invis\u00edveis ou pouco conhecidos pelo restante do mundo. Juracy Marques nos convida em \u201cEduca\u00e7\u00e3o Descontextualizada: desexplicando as explica\u00e7\u00f5es\u201d a pensar sobre como \u00e9 estar em um n\u00e3o lugar, fugindo de culturas \u201conde se pratica o infantic\u00eddio, a mutila\u00e7\u00e3o clitoniana, a dilapida\u00e7\u00e3o humana, a pena de morte\u201d, de lugares em que a estrutura e as opress\u00f5es entraram no conjunto da \u201cnormalidade\u201d e com isso, conclama \u00e0 reflex\u00e3o sobre qual seria o sentido de lugar para estes seres sem p\u00e1tria. E o que ouvir\u00edamos se fosse dada a voz \u00e0s crian\u00e7as envolvidas em tais situa\u00e7\u00f5es de barb\u00e1rie e exterm\u00ednio?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A partir das inquieta\u00e7\u00f5es de Juracy Marques, questiono: Qual o papel da educa\u00e7\u00e3o em tais contextos? Para al\u00e9m do processo de forma\u00e7\u00e3o intelectual, o filme \u201cSementes podres\u201d pulveriza a ideia de enfrentamento criativo dos contextos sociais totalit\u00e1rios pelo cuidado, denunciando incidentes de viol\u00eancia quando ocorrerem e mantendo a premissa de que profanadores cuidam e s\u00e3o d\u00edspares ao <em>status quo<\/em> imposto pelo sistema social que est\u00e3o envolvidos.\u00a0<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[18,48,21,26,38],"tags":[83,99,124,222,276],"class_list":["post-1085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidadania-e-direitos-humanos","category-cultura-cultura","category-cultura","category-moralidade","category-kleyton-gualter-de-oliveira-silva","tag-cinema","tag-cultura","tag-educacao","tag-opressao","tag-sociedade"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/krisis.univasf.edu.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/filme-o-milagre-da-netflix-912893-article.webp?fit=600%2C400&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}