{"id":1090,"date":"2023-05-11T18:58:15","date_gmt":"2023-05-11T21:58:15","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1090"},"modified":"2023-05-11T18:58:15","modified_gmt":"2023-05-11T21:58:15","slug":"deus-pos-a-eternidade-no-coracao-dos-homens-eclesiastes-311-por-priscilla-dos-reis-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2023\/05\/11\/deus-pos-a-eternidade-no-coracao-dos-homens-eclesiastes-311-por-priscilla-dos-reis-ribeiro\/","title":{"rendered":"&#8220;&#8216;Deus p\u00f4s a eternidade no cora\u00e7\u00e3o dos homens&#8217;, Eclesiastes 3:11&#8221;, por Priscilla dos Reis Ribeiro"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Deus \u00e9 uma saudade que lateja dentro da gente e sempre nos pega de surpresa quando, desavisados, caminhamos pela vida. Ela enche os olhos de mar, faz o peito aquecer e o sorriso brotar nos l\u00e1bios sem precisar fazer for\u00e7a. Essa saudade aparece quando a gente trope\u00e7a numa flor que brota duma rachadura no concreto e desencadeia um turbilh\u00e3o de pensamentos: como essa fragilidade venceu a dureza? Quanto tempo levou para que, debaixo de todos esses entulhos da dita civiliza\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a da vida brotasse com colorido exuberante? Que tanto de esfor\u00e7o essas fr\u00e1geis folhinhas fizeram para vencer? Quanto tempo sustentar\u00e3o essa rebeldia que deseja e parte incans\u00e1vel para retomar seus lugares origin\u00e1rios neste mundo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A saudade t\u00e1 nessa folhazinha, na flor min\u00fascula, nessa janela pra eternidade que nos lembra que nosso esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m do tempo e por isso nossa alma tem uma sede infinita, busca imensa de caminhante na jornada para a Terra Sem Males. O correr da vida nos anestesia, o coma da coloniza\u00e7\u00e3o nos rouba o gosto da delicadeza, nossas p\u00e1lpebras ficam cansadas de tanto concreto. Isso tudo \u00e9 den\u00fancia de que tem uma parte nossa, miolo-mole-cora\u00e7\u00e3o, que bate nos empurrando para um futuro ancestral pois feito de pequenas coisas que a ambi\u00eancia da urbanidade nos roubou. Conectar os p\u00e9s-ra\u00edzes na terra e ter lunetas para enxergar tanto a pequena folha como o gigantesco cosmos distante \u00e9 parte desse recuperar-se da dist\u00e2ncia do Amado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A dist\u00e2ncia de quem se ama d\u00f3i de muitas formas e quero te lembrar subversivamente que o bioma em que estamos imersos no dia a dia \u00e9 nosso maior mestre dos encantamentos do Eterno, mesmo quando n\u00e3o nos damos conta. Trazer para junto esta mem\u00f3ria n\u00e3o predat\u00f3ria mas de intimidade com Pachamama, eco do \u00c9den em nossas entranhas, \u00e9 uma vez mais registrar o que o salmista afirmou: n\u00e3o precisamos de palavras para apreender a grandeza da vida que transborda no min\u00fasculo e no imenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">E \u00e9 exatamente por sermos todos caminhantes na exist\u00eancia que a Divina Saudade nos pega desprevenidos, nas coisas pequenas como o gosto bom do mel na boca, o abra\u00e7o apertado, o sil\u00eancio contemplativo e as in\u00fameras bonitezas cotidianas. Em tudo que nos cerca, berra a saudade Daquele que coloriu flores e folhas, nos deu desejos por sabores ainda n\u00e3o provados quando plantou dentro de n\u00f3s essa fome pela eternidade, por isso digo que \u00e9 urgente raspar nossa pele que j\u00e1 virou casca de civiliza\u00e7\u00e3o e encontrar os nervos pulsantes que nos fazem apreciar lua, chuva e passarinho como testemunho pleno e leg\u00edtimo da bondade recebida de quem que \u00e9 tudo em todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O desafio de equilibrar a eternidade no cora\u00e7\u00e3o com uma saudade c\u00f3smica que sempre nos acompanhar\u00e1 torna instigante caminhar com o Verbo encarnado no tempo e na hist\u00f3ria pois paradoxos sempre teremos: o desejo de c\u00e9u, de transcender num cabo de guerra com o apego ao que temos na Casa Comum. \u00c9 da nossa humanidade ser assim e t\u00e1 tudo bem. Importa termos os sentidos do corpo e da alma agu\u00e7ados para identificar quando a beleza nos chama para dan\u00e7ar, pois este \u00e9 o movimento sacralizador de toda vida em que Ruah se esmera nos tecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A Ruah dan\u00e7a, o Verbo \u00e9 de carne e poeira palestina, o Eterno \u00e9 quem nos coloca a falta que nos move na exist\u00eancia\u2026sabendo disso eu te pergunto: como n\u00e3o se apaixonar por uma trindade t\u00e3o instigante e provocadora? Como n\u00e3o ter poesia nos olhos e m\u00fasica no cora\u00e7\u00e3o todos os dias, sabendo que a nossa pequena exist\u00eancia no universo \u00e9 tudo que temos para experimentar essa enormidade chamada vida. As pluralidades que nos cercam s\u00e3o testemunhas da jornada que temos diante de n\u00f3s, de frui\u00e7\u00e3o e de reconhecimento, de investiga\u00e7\u00e3o e descobrimentos tantos, todos banhados por essa saudade boa de sentir, que eleva nosso olhar para as noites mais estreladas e enche nosso peito de leveza. \u00c9 saudade de Deus, do Deus que a tudo recheia de encantarias de amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">E voc\u00ea, sente essa saudade?<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1091,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[21,39,42,47],"tags":[68,107,134,266,286],"class_list":["post-1090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-linguagem","category-priscilla-dos-reis-ribeiro","category-teologia","tag-beleza","tag-deus","tag-espiritualidade","tag-saudade","tag-teologia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/krisis.univasf.edu.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG-20230511-WA0026.jpg?fit=719%2C704&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1090\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}