{"id":1151,"date":"2023-08-05T21:39:11","date_gmt":"2023-08-06T00:39:11","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1151"},"modified":"2023-08-05T21:39:11","modified_gmt":"2023-08-06T00:39:11","slug":"polifonias-do-ser-enquanto-gente-por-priscilla-dos-reis-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2023\/08\/05\/polifonias-do-ser-enquanto-gente-por-priscilla-dos-reis-ribeiro\/","title":{"rendered":"&#8220;Polifonias do ser-enquanto-gente&#8221;, por Priscilla dos Reis Ribeiro"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Deus \u00e9 uma saudade desse emaranhado de gentes que me comp\u00f5e. \u00c9 impressionante e assustador ao mesmo tempo olhar para dentro de si e ser h\u00e1bil para identificar atos, palavras, sensa\u00e7\u00f5es que carregamos a partir dos contatos que estabelecemos na vida. Essa heran\u00e7a nos vem por meio do afeto e da confian\u00e7a mas tamb\u00e9m pela via das decep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">J\u00e1 dizia o samba que a solid\u00e3o apavora quando tudo se demora em ser t\u00e3o ruim. Pois bem, se por um lado as cicatrizes que carregamos no corpo e na alma s\u00e3o mapas das travessias que empreendemos, na outra m\u00e3o a dor que sobra como resqu\u00edcio das mem\u00f3rias por vezes n\u00e3o digeridas, \u00e9 alimento para nossas constantes revolu\u00e7\u00f5es pessoais. E nesse movimento dial\u00e9tico beirando o antropof\u00e1gico, vamos nos constituindo pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ter o h\u00e1bito de ouvir as vozes das pessoas que carregamos no meu peito \u00e9 saber que nem sempre a narrativa nos supre de afetos bons mas \u00e9 da vida compreender que h\u00e1 que se macerar, bater, moer, amassar os acontecimentos para que estes sejam processados pelo cora\u00e7\u00e3o. De qualquer maneira, este emaranhado de vozes que nos faz ser quem somos, acaba por nos ensinar a sermos n\u00f3s mesmos. Parece contradit\u00f3rio mas \u00e9 intensa esta experi\u00eancia, visceral na mais profunda acep\u00e7\u00e3o do termo pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar tudo que vivemos de como nos pensamos, nos vemos e nos movemos no mundo hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Digo por mim: vicejo gentes e semeio em outros tantos corpos-territ\u00f3rio; tenho responsabilidade pelo valor das sementes que lan\u00e7o, procuro escolher as melhores, lan\u00e7ar em muitas dire\u00e7\u00f5es, aguardar olhando os campos, rezar para que haja chuva boa que seja carinhosa para a terra-m\u00e3e e traga pro olhar a for\u00e7a que arrebenta no oculto do ch\u00e3o-cora\u00e7\u00e3o, vasto e f\u00e9rtil, simultaneamente misterioso e t\u00e3o familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Perceber-se esse somat\u00f3rio de vozes, polifonias do ser-enquanto-gente com ra\u00edzes robustas, ervas daninhas, flores perfumadas, troncos grossos, folhas ainda verdes, galhos ressequidos \u00e9 saben\u00e7a da beleza de enxergar-se natureza. A pedagogia divina aponta que as esta\u00e7\u00f5es v\u00eam e v\u00e3o e que n\u00e3o urge sentir uma saudade dolorida do melhor vivido sob o sol dos dias dourados do ver\u00e3o, do c\u00e9u deslumbrante do outono, das chuvas do inverno ou at\u00e9 mesmo do florescer exuberante da primavera. Os ciclos\u2026 ah, os s\u00e1bios ciclos da Casa Comum s\u00e3o mestres dos tempos de florescer ou ressequir-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Da mesma forma que n\u00e3o precisamos carregar o peso de troncos mortos nem frustra\u00e7\u00f5es pelas sementes que n\u00e3o germinaram ou por frutos desprezados que ficaram pelo caminho; os ciclos retornam para ensinar, de maneira renovada e t\u00e3o antiga, impregnado da po\u00e9tica dos tempos que \u00e9 do mover-se no mundo o desafio sempre constante, sempre agudo, sempre doce de resistir. E ver a passagem dos dias, meses e anos com a certeza luminescente de que a d\u00e1diva consiste em ser caminhante.&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[39,42,47],"tags":[107,145,178,240],"class_list":["post-1151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-linguagem","category-priscilla-dos-reis-ribeiro","category-teologia","tag-deus","tag-experiencia","tag-humano","tag-polifonia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}