{"id":2223,"date":"2022-04-20T20:39:32","date_gmt":"2022-04-20T23:39:32","guid":{"rendered":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/?p=2223"},"modified":"2022-04-20T20:39:32","modified_gmt":"2022-04-20T23:39:32","slug":"sobre-o-novo-ativismo-de-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/04\/20\/sobre-o-novo-ativismo-de-direita\/","title":{"rendered":"Sobre o novo ativismo de direita"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"justify\">Por Gabriel Pugliese<a href=\"https:\/\/pontocritico.org\/16\/08\/2018\/sobre-o-novo-ativismo-de-direita\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\" align=\"justify\"><em>Esse texto debate a exist\u00eancia de um novo ativismo de direita no Brasil. Ele toma como base de argumenta\u00e7\u00e3o as movimenta\u00e7\u00f5es existentes a partir de 2013 (jornadas de junho) e explora seus atores principiais.<\/em><\/p>\n<div class=\"fb-share-button fb_iframe_widget\" data-href=\"https:\/\/pontocritico.org\/16\/08\/2018\/sobre-o-novo-ativismo-de-direita\/\" data-layout=\"button_count\" data-size=\"small\" data-mobile-iframe=\"true\"><\/div>\n<p align=\"justify\">\u00c9 comum imaginar para os mais jovens e tamb\u00e9m para uma parte dos intelectuais de esquerda portadores de uma \u201cs\u00edndrome de or\u00e1culo com lapso de mem\u00f3ria\u201d, que o fen\u00f4meno atual \u2013 amparado nas redes sociais e nas ruas \u2013 da ascens\u00e3o do novo ativismo de direita deve-se a in\u00e9pcia de uma parte da classe trabalhadora (a famigerada classe m\u00e9dia) ao pensamento e ao mesmo tempo a sua manipula\u00e7\u00e3o por meio da m\u00eddia oficial brasileira. De um lado, a in\u00e9pcia ao pensamento levaria um conjunto de trabalhadores com um acesso maior ao consumo de massas n\u00e3o se reconhecer enquanto classe trabalhadora e, de outro, como isca f\u00e1cil das grandes corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia (principalmente a Rede Globo) essas pessoas seriam levadas a defender interesses que n\u00e3o s\u00e3o os seus, mas os do capital financeiro e do empresariado por meio da manipula\u00e7\u00e3o. De fundo, o que se espera, \u00e9 a reden\u00e7\u00e3o, um grande despertar \u2013 quase religioso \u2013 de uma classe que encontrar-se-\u00e1 consigo mesma e se realinhar\u00e1 com os seus pr\u00f3prios interesses no futuro, quando se libertar das amarras de um poder finalmente denunciado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gostaria de colocar o problema de maneira um tanto diferente. Pois aprendi com uma incr\u00edvel professora um preceito importante para a vida pol\u00edtica: para combater um advers\u00e1rio pol\u00edtico com destreza \u00e9 preciso, sobretudo, lev\u00e1-lo a s\u00e9rio enquanto advers\u00e1rio e conhecer seu argumento e suas artimanhas. Para tanto \u00e9 necess\u00e1rio de uma vez s\u00f3 livrar-se dessas duas teses simplistas e antiquadas (falta de consci\u00eancia e poste de manipula\u00e7\u00e3o) que orientam o modo como a intelectualidade da esquerda majorit\u00e1ria lida com a for\u00e7a que a direita vem readquirindo. Como entusiasta da democracia, essa velha senhora caprichosa, convido a todos a tentar compreender esse fen\u00f4meno por outros meios, em nome mesmo da pluralidade que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o humana da pol\u00edtica. Porque, afinal, n\u00e3o h\u00e1 nada pior para a democracia do que a grosseria de manter ouvidos moucos para os advers\u00e1rios com o pretexto de que n\u00e3o sabem o que est\u00e3o dizendo, pensando e agindo. Em tempos em que \u00e9 reinante o discurso antipol\u00edtico, \u00e9 imperativo n\u00e3o ser \u00e0 esquerda a primeira a jogar a pedra, pois, para lembrar Samuel Butler \u201cn\u00e3o existe pior perseguidor de um gr\u00e3o de milho, do que outro gr\u00e3o de milho quando est\u00e1 identificado com uma galinha\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A direita brasileira tem uma hist\u00f3ria longa e bem diversa, que se manifesta tamb\u00e9m hoje nas diferentes concep\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dos atores que se envolveram na derrubada da presidenta Dilma Rousseff. Da d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado para c\u00e1, podemos lembrar de alguns como a A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira; o Movimento Eug\u00eanico Brasileiro; os think tanks anticomunistas e ligados ao empresariado e a intelig\u00eancia norte-americana que corroboraram fortemente com o golpe de 64, a saber, o Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais[2]; Tradi\u00e7\u00e3o, Fam\u00edlia e Propriedade da Igreja Cat\u00f3lica; a pr\u00f3pria Ditadura Militar e seus correligion\u00e1rios; os ca\u00e7adores de maraj\u00e1s; o malufismo; os olavisistas etc. Tudo isso para ficar somente com alguns e sem tocar em partidos conservadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, \u00e9 fato, que boa parte das bandeiras levantadas na atualidade \u2013 principalmente ap\u00f3s os primeiros momentos das jornadas de junho de 2013 \u2013 s\u00e3o mais hist\u00f3ricas do que parecem \u00e0 primeira vista, quando tratadas como \u201cpura aliena\u00e7\u00e3o\u201d. O \u00f3dio aos \u201cesquerdopatas comunistas\u201d, o nacionalismo, a defesa dos militares, o grito \u201c\u00e9 sem partido\u201d, as posi\u00e7\u00f5es contarias a todas as minorias, o elogio ao \u201cTio Sam\u201d apoiado financeira e logisticamente por ele, o combate a corrup\u00e7\u00e3o e o padr\u00e3o FIFA, a ROTA na rua acompanhada pelo soneto \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, a guerra contra o marxismo cultural universit\u00e1rio etc, s\u00e3o bandeiras hist\u00f3ricas da pr\u00f3pria pol\u00edtica brasileira recente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para compreender essa colcha de retalhos de posi\u00e7\u00f5es, t\u00e3o distintas entre si e que ganham uma certa coaliza\u00e7\u00e3o embreante em 2013, \u00e9 preciso destacar dois protagonismos, antigos em suas demandas, mas novos em rela\u00e7\u00e3o aos meios estrat\u00e9gicos utilizados para angariar for\u00e7a. O primeiro deles \u00e9 o Deputado Jair Bolsonaro, e o segundo o Movimento Brasil Livre, que s\u00f3 se mantiveram pr\u00f3ximos durante o per\u00edodo que foi conveniente. Basta dizer, acerca de Bolsonaro, que ele coagula os interesses militares, nacionalistas, de combate as minorias e, por fim, e mais importante, o combate a corrup\u00e7\u00e3o como estandarte moral. Ou seja, os extratos da direita mais radical que encontravam eco recente em um malufismo com a vantagem moral do combate a corrup\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, com as den\u00fancias em rela\u00e7\u00e3o a Paulo Maluf (aquele que rouba mas faz) e a Celso Pitta, a for\u00e7a do malufismo esvaneceu-se, sendo absorvido por uma estrat\u00e9gia das alas mais conservadoras do PSDB at\u00e9 encontrar um catalizador ainda mais pertinente. Como j\u00e1 escrevi um texto sobre Bolsonaro em 2017[3], me dedicarei ao MBL no presente texto.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Movimento Brasil Livre \u00e9 resultado de uma estrat\u00e9gia de um conjunto de jovens brasileiros que montaram no pa\u00eds uma filial do think tank Studants for Liberty em 2012, o Estudantes pela Liberdade, para poderem participar dos movimentos das jornadas de junho de 2013 que depois desembocaram nos movimentos que culminaram no golpe parlamentar que ainda estamos vivendo. Como demonstrou Marina Amaral[4], os ent\u00e3o diretores do think tank no Brasil, Juliano Torres e Fabio Ostermann, para escapar a legisla\u00e7\u00e3o norte-americana que pro\u00edbe a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de suas funda\u00e7\u00f5es, criaram um nome fantasia para participar das jornadas de 2013: o MBL.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Studants for Liberty \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que visa no mundo todo, propagar as ideias econ\u00f4micas neoliberais radicais, principalmente, mas n\u00e3o exclusivamente da Escola Austr\u00edaca de Economia. Da\u00ed o bord\u00e3o mil vezes repetidos: \u201cmenos Marx e mais Misses\u201d (em refer\u00eancia a Ludwig Von Misses, patrono de tal escola e autor de, entre outros livros, \u201cA mentalidade anticapitalista\u201d e \u201c Marxismo Desmascarado\u201d). Para atingir tais objetivos o SPL forma atrav\u00e9s de cursos no Brasil e nos EUA, h\u00e1 algum tempo, lideran\u00e7as jovens com capacidade de orat\u00f3ria e de conhecimento t\u00e9cnico m\u00ednimo, para transmitir as no\u00e7\u00f5es de libertarismo pr\u00f3 mercado, livre concorr\u00eancia, meritocracia, efic\u00e1cia, produtividade, empreendedorismo etc. Ao mesmo tempo afia seus formandos no combate a tradi\u00e7\u00e3o da esquerda europeia socialdemocrata, que hoje s\u00e3o majorit\u00e1rias na esquerda mundial, com propostas como regula\u00e7\u00e3o moderada da economia, transfer\u00eancia de renda, impostos progressivos, bem-estar social em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o etc. Tradi\u00e7\u00e3o esta que nada mais \u00e9 do que um tipo de liberalismo que pretendeu humanizar o capitalismo e todos os seus sistemas de desigualdades, muito distante de perspectivas comunistas e revolucion\u00e1rias. Se olharmos para a hist\u00f3ria do Partido dos Trabalhadores no Brasil n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver a converg\u00eancia \u00e0 essas pautas sociais-democr\u00e1ticas, apoiadas nesse tipo de liberalismo europeu, mas que estrategicamente do ponto de vista neoliberal \u00e9 equiparado com o comunismo. De modo que, qualquer ator pol\u00edtico que inicie um discurso sobre regula\u00e7\u00e3o da economia, \u00e9 mandado a cuba[5].<\/p>\n<p align=\"justify\">Os Studants for Liberty s\u00e3o financiados por uma meta think tank, a Atlas Economic Research Foundation, capitaneada por grandes empres\u00e1rios americanos, como os irm\u00e3os Koch do petr\u00f3leo, a John Templeton Fundation que \u00e9 uma gigante do mercado financeiro em Wall Street, entre outras[6]. A prop\u00f3sito, em abril de 2015 Alejandro Chaufuen, presidente da Atlas Network, esteve no Brasil para participar do F\u00f3rum da Liberdade, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (outro instituto financiado pela Atlas com o mesmo objetivo), e n\u00e3o perdeu a oportunidade de vestir a amarelinha e posar com Fabio Ostermann, criador do MBL, durante as manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-golpe. Disse em entrevista \u201cque o Brasil se tornaria modelo para os outros pa\u00edses da am\u00e9rica latina\u201d[7]. Um dejav\u00fa de outros golpes brasileiros e internacionais. \u00c9 evidente que as empresas que financiam esses think tanks tem prop\u00f3sitos econ\u00f4micos em todas as partes do mundo em que atuam. Nessa experi\u00eancia mundial essas empresas forjaram um ativismo de direita no mundo \u00e1rabe durante a primavera, que em seguida assumiu cargos p\u00fablicos com a linha mestra da economia de mercado. E esse foi um passo mais largo para lucrar, na medida em que se depuseram governos com estrat\u00e9gias econ\u00f4micas que constituam um entrave para \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das empresas financiadoras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os meninos do MBL n\u00e3o s\u00e3o diferentes. Os mais ativos, lan\u00e7ados a t\u00edtulo de celebridades nas redes sociais, s\u00e3o treinados por essas institui\u00e7\u00f5es e delas recebem amparo. Defendem o neoliberalismo ao mesmo tempo que esbravejam o \u201cfora Petralha\u201d. Apoiam a Lava-Jato e o fim da corrup\u00e7\u00e3o e simultaneamente, sentaram-se a mesa com Eduardo Cunha para lavrar o pedido de impeachment. Apoiaram bravamente o golpe para a conquista das reformas do governo Michel Temer e seu minist\u00e9rio de ilustres (corruptos), que tomaram a frente da agenda neoliberal de destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Direito por meio de suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se sustentaria nas urnas. Aplaudem as privatiza\u00e7\u00f5es do pr\u00e9-sal, mesmo quando os compradores s\u00e3o empresas estatais de outros pa\u00edses. Hoje s\u00e3o pol\u00edticos e candidatos a cargos na Rep\u00fablica brasileira, e al\u00e9m disso disputados por diversos partidos como PSDB, DEM, PSL etc. Recentemente, o vencedor do leil\u00e3o eleitoral do MBL majoritariamente foi o DEM, antigo PFL, descendente direto da Arena, partido com um grande n\u00famero de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e articulador do centr\u00e3o \u2013 conjunto de partidos que trocam apoio por benef\u00edcios no governo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais que treinados por essas institui\u00e7\u00f5es norte-americanas eles s\u00e3o financiados com cifras muito altas e suporte empresarial e log\u00edstico. Suas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o profissionais, organizadas, limpas, pac\u00edficas, nada de povo. Tem produtos, \u00edcones do pixuleco (lula vestido de presidi\u00e1rio), camisetas com dizeres antipetistas, apoio televisivo etc, tudo numa velocidade que qualquer sindicato demoraria anos para reunir. Disp\u00f5em tamb\u00e9m de um bom uso das redes, de seus algoritmos, para propagar not\u00edcias duvidosas com proposito de destruir reputa\u00e7\u00f5es[8]. A prova disso \u00e9 que recentemente o Facebook desativou v\u00e1rias p\u00e1ginas do MBL, que disseminavam not\u00edcias falsas. Mas n\u00e3o se tratavam de p\u00e1ginas aleat\u00f3rias, mas um ecossistema de contas que visavam atingir um maior n\u00famero de perfis[9]. Tratavam-se de uma engenharia de comunica\u00e7\u00e3o robusta que agiu durante as campanhas do golpe e continuar\u00e1 agindo. Esses ecossistemas fazem com que um assunto pare\u00e7a relevante para muita gente e o algoritmo do facebook dispara para os usu\u00e1rios sem parar. Com toda essa articula\u00e7\u00e3o e estrutura, o MBL esconde suas fontes de financiamento a sete chaves, sob o pretexto de imunidade aos doadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">A \u00fanica diferen\u00e7a dos think tanks atuais daqueles que atuaram no golpe 64 e tantos outros golpes mundo a fora \u00e9 a velocidade da comunica\u00e7\u00e3o via internet, suas vicissitudes t\u00e9cnicas e, crucialmente suas finalidades. As estrat\u00e9gias continuam as mesmas: construir uma direita organizada por meio de instrumentos de forma\u00e7\u00e3o de um sujeito calcado nas pautas neoliberais que s\u00e3o apresentadas como neutras no espectro pol\u00edtico. Enfim, um modo de vida que \u00e9 apresentado como uma \u00e9tica n\u00e3o mais do trabalho, mas da liberdade \u2013 independente do que isso significa. Efici\u00eancia, transpar\u00eancia, meritocracia, produtividade, orgulho dos frutos do trabalho s\u00e3o seus mantras, todo um vocabul\u00e1rio que pretende criar um sujeito-empresa que independe de partidos pol\u00edticos e suas ideologias[10] \u2013 que s\u00e3o os dois grandes baluartes (ainda que degradados) da democracia moderna.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desse modo, n\u00e3o existe nova direita, tampouco um novo ativismo de direita, mas \u00e9 a batalha que mudou de estilo e encontrou novas territ\u00f3rios: o alvo \u00e9 a democracia, \u00e9 a pr\u00f3pria pol\u00edtica e os modos de vida. \u00c9 isso que a vanguarda da direita mundial percebeu e tomou para si. Afinal, o capital nunca foi t\u00e3o m\u00f3vel e multilocalizado. Assim, ela luta n\u00e3o pelo controle dos Estados (pol\u00edticos med\u00edocres ficam com esse \u00f4nus), mas para dirimi-lo por meio de suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es at\u00e9 sobrar somente os dispositivos de seguran\u00e7a; n\u00e3o \u00e9 pela via dos partidos pol\u00edticos e das disputas ideol\u00f3gicas, mas pela via das redes de dissemina\u00e7\u00e3o desse modo de vida antipol\u00edtico atrav\u00e9s da \u201cfilantropia\u201d organizada das redes internacionais de think tanks; n\u00e3o \u00e9 pela for\u00e7a e a viol\u00eancia militar, mas pelo controle das formas de exist\u00eancia. A dupla quest\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de direitos tratados como privil\u00e9gios e a propaga\u00e7\u00e3o de uma tecnologia concorrencial de sujeito, s\u00e3o os novos campos. O Estado, os partidos e a guerra s\u00e3o meros instrumentos nessas batalhas, n\u00e3o mais os meios centrais de disputa ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u00c0queles da esquerda majorit\u00e1ria que insistem que esse ativismo de direita \u00e9 um retrato espont\u00e2neo de uma ignor\u00e2ncia conservadora de classe, manipulada por sua pr\u00f3pria fatalidade, fazem de um engano uma engana\u00e7\u00e3o. Trabalham na esperan\u00e7a de um despertar redentor. Essa esquerda, al\u00e9m disso, tem tudo para perder a luta pol\u00edtica (e pela pol\u00edtica) mais uma vez, sem sequer ver a forma do advers\u00e1rio. Nesse caso, a frase de Marx faz todo o sentido: \u201ca hist\u00f3ria se repete, a primeira vez como trag\u00e9dia a segunda como farsa\u201d, tamb\u00e9m para a esquerda. Por outro lado, e enquanto isso, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil um vizinho qualquer, reproduzir todo esse discurso neoliberal com orgulho. Ele trata a pol\u00edtica como um negativo, um mal a ser extirpado e reprimi argumentos contr\u00e1rios brandindo a c\u00ednica neutralidade: \u201cvoc\u00ea est\u00e1 politizando o debate\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">[1] Doutor em antropologia pela USP, professor da UNIVASF e membro do Krisis.<\/p>\n<p align=\"justify\">[2] Esses institutos fizeram uma s\u00e9rie de campanhas radiof\u00f4nicas, televisivas e na imprensa escrita com conte\u00fado anticomunista com objetivo de minar o governo Jo\u00e3o Goulart e eleger deputados com posi\u00e7\u00f5es liberais e conservadoras. Com financiamento de empresas americanas e auxilio da Interpol esses institutos tiveram grande import\u00e2ncia na difus\u00e3o dos valores norte americanos no Brasil durante a Guerra Fria. Para saber mais ver:<\/p>\n<p>https:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/Jango\/artigos\/NaPresidenciaRepublica\/O_Instituto_Brasileiro_de_Acao_Democratica.<\/p>\n<p align=\"justify\">[3] Pugliese, Gabriel. \u201cBolsonaro 2018!\u201d. Coluna K. Dispon\u00edvel em https:\/\/pontocritico.org\/20\/03\/2017\/bolsonaro-2018\/. O mais interessante desse texto, como sempre, s\u00e3o os coment\u00e1rios de seus leitores. Nem todos os leitores, \u00e9 obvio, s\u00e3o eleitores convictos de Bolsonaro, somente a maioria que comentou o texto sem ler e perceber as refer\u00eancias ao pr\u00f3prio Deputado \u2013 como sempre indignados com a \u201cesquerdopatia\u201d, essa doen\u00e7a n\u00e3o investigada. A caracter\u00edstica mais comum \u00e9 sempre um esbravejamento virulento, daqueles que cospem ao gritar um argumento pronto e n\u00e3o meditado. Caros colegas bolsonaristas, antes de juntar a trupe e comentar um texto sem ler e discutir os pontos que ele coloca, tal como um tioz\u00e3o em jantar de fam\u00edlia, utilizem seus esfor\u00e7os para extrair uma reflex\u00e3o sobre a pol\u00edtica que n\u00e3o seja um bord\u00e3o. Tenham um pouquinho de coragem para aceitar o debate ao inv\u00e9s de expor alguns de seus ressentimentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">[4] Amaral, Marina. \u201cJabuti n\u00e3o nasce em arvore: como o MBL se tornou lider das manifesta\u00e7\u00f5es pelo impeachment\u201d in Kim Doria, Murilo Cleto (orgs), \u201cPor que gritamos golpe?\u201d para entender o impeachment e a crise pol\u00edtica no Brasil. Boitempo editorial, 2016.<\/p>\n<p align=\"justify\">[5] Eis um ponto importante: a estrat\u00e9gia de combate de Von Misses, mas tamb\u00e9m de Hayek e Friedman, j\u00e1 muito cedo foi clara nesse dom\u00ednio. Ela aproximou esse liberalismo social com o perigo do comunismo com o discurso de que qualquer interven\u00e7\u00e3o estatal no mercado leva a socializa\u00e7\u00e3o dos modos de produ\u00e7\u00e3o e \u00e9, portanto, comunista de in\u00edcio ao fim, porque implica em maior ou menor grau na confisca\u00e7\u00e3o das liberdades que produzem a competi\u00e7\u00e3o natural e a riqueza. Para contra argumentar basta observar o n\u00famero de interven\u00e7\u00f5es estatais feitas nos Estados Unidos \u2013 o centro neoliberal do mundo e modelo de sociedade \u2013 para salvar empreendimentos financeiros, industrias e grupos multinacionais, que n\u00e3o foram execradas como ressentidas a\u00e7\u00f5es socialistas. Por outro lado, o Obamacare, projeto liberal cl\u00e1ssico que pretendia acesso a sa\u00fade por meio de uma bolsa (afinal o trabalhador \u00e9 um capital humano!), foi rapidamente tratado como socialista pelo governo de Donald Trump e contr\u00e1rio a tradi\u00e7\u00e3o americana. O que vale retoricamente para a mentalidade anticapitalista, deveria valer primeiro para a mentalidade anticomunista porque, do contr\u00e1rio, a pretexto de justificar desigualdades, o discurso transforma-se em uma dissimula\u00e7\u00e3o retorica falaciosa.<\/p>\n<p align=\"justify\">[6] Amaral, Marina. A nova roupa da direita. Publica, 23 de junho de 2016 dispon\u00edvel em: https:\/\/apublica.org\/2015\/06\/a-nova-roupa-da-direita\/. Nesse texto \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma tabela de um dos canais de transpar\u00eancia norte-americanos com os financiadores e os valores astron\u00f4micos recebidos por essas funda\u00e7\u00f5es para tais objetivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">[7] Op.cit.<\/p>\n<p align=\"justify\">[8] Como se pode perceber n\u00e3o gosto da express\u00e3o Fake News por pelo menos duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 porque ela se apresenta como uma novidade. Nos brasileiros, pelo menos, j\u00e1 conhecemos essas estrat\u00e9gias da imprensa h\u00e1 tempos, pois somos o pa\u00eds da Veja, da Globo, e de pr\u00e1ticas coronelistas. Segundo porque, apesar da mentira deliberada, seus efeitos s\u00e3o reais e irrevers\u00edveis a reputa\u00e7\u00e3o das pessoas atingidas, n\u00e3o sendo poss\u00edvel aviltar a mentira uma vez publicada.<\/p>\n<p align=\"justify\">[9] Para saber mais, ver https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/facebook-derruba-rede-de-fake-news-usada-pelo-mbl-22917346<\/p>\n<p align=\"justify\">[10] Pugliese, Gabriel; Marques, Delcides; Marques, Adalton. Duas ou tr\u00eas palavras sobre a neutralidade pol\u00edtica. Coluna K. dispon\u00edvel em: https:\/\/pontocritico.org\/28\/11\/2016\/duas-ou-tres-palavras-respeito-de-neutralidade-politica\/<\/p>\n<p>Obs. Publicado inicialmente m <a href=\"https:\/\/pontocritico.org\/16\/08\/2018\/sobre-o-novo-ativismo-de-direita\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PontoCr\u00edtico<\/a> em 16 de agosto de 2018.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/04\/20\/sobre-o-novo-ativismo-de-direita\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2223"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2224,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2223\/revisions\/2224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}