{"id":2420,"date":"2022-10-14T19:23:48","date_gmt":"2022-10-14T22:23:48","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=678"},"modified":"2022-10-14T19:23:48","modified_gmt":"2022-10-14T22:23:48","slug":"marighella-no-meio-do-caminho-ha-uma-pedra-por-daniel-de-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/10\/14\/marighella-no-meio-do-caminho-ha-uma-pedra-por-daniel-de-moura\/","title":{"rendered":"&#8220;Marighella: no meio do caminho h\u00e1 uma pedra&#8221;, por Daniel de Moura"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Texto para ser lido ao som da m\u00fasica \u201cSentinela\u201d \u2013 Milton Nascimento\/ Nana Caymmi<\/em><span style=\"font-size: revert;\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cPara, para!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Foi o grito ecoado na Alameda Casa Branca em S\u00e3o Paulo pelo delegado Sergio Fernando Fleury, no dia 04 de novembro de 1969, na altura do n\u00famero 800, onde estacionava como de costume o fusca dos frades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">As ruas estavam vazias, televisionavam naquele dia o Santos de Pel\u00e9 contra o Corinthians de Rivelino no est\u00e1dio do Pacaembu e segundo o jornalista Mario Magalh\u00e3es, bi\u00f3grafo de Marighella, pouco depois das oito horas, um mulato baiano despontou na cal\u00e7ada para se despedir da vida. Marighella resolveu que n\u00e3o voltaria para a pris\u00e3o. J\u00e1 dentro do fusca e cercado pela pol\u00edcia, tentou pegar dentro da sua mala a capsula com veneno cianureto que carregava e diante dos movimentos bruscos, atiraram nele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Hoje, no endere\u00e7o do ocorrido, encontra-se uma pedra que marca o lugar da sua morte. Marighella \u00e9 oficialmente anistiado pol\u00edtico post mortem. A declara\u00e7\u00e3o est\u00e1 na Portaria 2.780 publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o em 2012, \u00e9poca do Ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Eduardo Cardoso. Antes da anistia pol\u00edtica, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente da Rep\u00fablica, o Estado reconheceu que foi respons\u00e1vel pela sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Baiano, professor, deputado federal, concordando ou n\u00e3o com seus ideais a verdade que fica \u00e9 que ap\u00f3s ler a biografia de Mario Magalh\u00e3es, Cecil Borer, diretor do Dops, tinha raz\u00e3o: \u201cCuidado, que o Marighella \u00e9 valente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Marighella \u00e9 lembrado at\u00e9 hoje. Por Caetano Veloso, na can\u00e7\u00e3o Um Comunista, reverenciando em nome do samba o mulato baiano, mas alerta: \u201cmuito embora n\u00e3o creia em viol\u00eancia e guerrilha\u201d. Mano Brown com os Racionais rimou versos em sua homenagem: \u201cessa noite em S\u00e3o Paulo um anjo vai morrer\/ por mim, por voc\u00ea, por ter coragem em dizer\u201d. Frei Betto escreveu o Batismo de Sangue, livro vencedor do pr\u00eamio Jabuti, o qual detalha a resist\u00eancia \u00e0 ditadura e o envolvimento dos frades dominicanos com a ALN &#8211; A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, que resultou na morte de Marighella.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Os dominicanos frei Betto, frei Tito, frei Giorgio e frei Maur\u00edcio, foram presos em S\u00e3o Paulo pela pol\u00edcia que tinha o objetivo de encontrar Marighella e, antes do assassinato, foram levados ao DEOPS\/SP, departamento de ordem pol\u00edtica e social, que fica no Largo General Os\u00f3rio, 66 &#8211; Santa Ifig\u00eania. O pr\u00e9dio que hoje funciona o Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo, foi arquitetado por Ramos de Azevedo, o mesmo que projetou o Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo. Antes de ser a sede do DEOPS, funcionava o armaz\u00e9m central da estrada de ferro Sorocabana, constru\u00edda em 1914.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Frei Fernando e frey Ivo, foram presos no Rio de Janeiro na mesma \u00e9poca e depois transferidos para S\u00e3o Paulo. Sendo torturados pela ditadura, deram informa\u00e7\u00f5es que levaram a pol\u00edcia at\u00e9 o guerrilheiro comunista. Assim como Pedro e Judas na B\u00edblia, frei Fernando ficou atormentado pela culpa: traiu seu paladino e preso pelo sistema, foi acusado de subversivo. At\u00e9 mesmo um homem de f\u00e9, dependendo da dor, \u00e9 poss\u00edvel duvidar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Talvez inspirado na antiga tradi\u00e7\u00e3o de mandar bilhetes dentro de garrafa no mar iniciada pelo aluno de Arist\u00f3teles, Theophrastus, que enviou uma carta dentro de uma garrafa para provar que o Oceano Atl\u00e2ntico desaguava no Mar mediterr\u00e2neo, frei Fernando escreveu durante os quatro anos em que esteve preso bilhetes que eram colocados dentro de canetas Bic, os quais eram levados fora da pris\u00e3o pelos visitantes. Frei Beto organizou esses bilhetinhos e transformou em livro publicado no ano de 2009: O Di\u00e1rio de Fernando (Ed. Roco).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Durante o c\u00e1rcere, frei Fernando foi visitado por v\u00e1rios bispos importantes: Dom Paulo Evaristo Arns (autor do livro Brasil: Nunca mais), Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, Dom Jos\u00e9 Maria Pires, Dom Ant\u00f4nio Fragoso dentre outros. Solto em outubro de 1973, o mineiro buscou uma vida rural, nos deixando em mar\u00e7o de 2019, v\u00edtima de c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Muitos dirigentes de movimentos cat\u00f3licos se tornaram oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar daquela \u00e9poca. Em um pa\u00eds violento, o alento se notava na igreja do bairro de Perdizes. Franz Heep, arquiteto alem\u00e3o que projetou o edif\u00edcio It\u00e1lia no bairro Rep\u00fablica, foi contratado para a constru\u00e7\u00e3o da igreja S\u00e3o Domingos, complexo dos dominicanos que tamb\u00e9m funcionava como convento. Era um per\u00edodo em que os cantos de louvor e a homilia permitiam a esperan\u00e7a de paz. O regime autorit\u00e1rio nomeava Generais para todas as institui\u00e7\u00f5es menos para a igreja, o que vale ressaltar a participa\u00e7\u00e3o da cristandade em resist\u00eancias na Fran\u00e7a contra os nazistas e na It\u00e1lia, contra Benito Mussolini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Diante de tantos acontecimentos, lutas, hist\u00f3rias e diverg\u00eancias, a igreja, casa da f\u00e9, serviu e ainda pode servir de complemento aos defeitos dos sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>MAGALH\u00c3ES, M\u00e1rio. &#8220;Mariguella, o guerrilheiro que incendiou o mundo\u201d \u2013 Editora Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[79,117,183,201,213],"class_list":["post-2420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-cultura","tag-catolicismo","tag-ditadura-militar","tag-igreja","tag-mariguella","tag-musica"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/krisis.univasf.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/minicurso-e2809ca-evoluc3a7c3a3o-bioenergc3a9tica-o-capitalismo-contemporc3a2neo-e-as-confiscac3a7c3b5es-dos-mundos-possc3adveise2809d-proferido-pelo-professor-dr-jorge-luiz-ma9-scaled.jpg?fit=2560%2C1707&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2420"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2420\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}