{"id":2421,"date":"2022-10-16T07:19:35","date_gmt":"2022-10-16T10:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=685"},"modified":"2022-10-16T07:19:35","modified_gmt":"2022-10-16T10:19:35","slug":"voce-defende-a-tradicional-familia-brasileira-por-delcides-marques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/10\/16\/voce-defende-a-tradicional-familia-brasileira-por-delcides-marques\/","title":{"rendered":"\u201cVoc\u00ea defende a tradicional fam\u00edlia brasileira?\u201d, por Delcides Marques"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"font-size:15px\"><blockquote><p><\/p><cite>&#8220;V\u00c3O VIVER SOB O MESMO TETO [&#8230;] AT\u00c9 QUE A CASA CAIA [&#8230;] AT\u00c9 EXPLODIR O NINHO [&#8230;] AT\u00c9 SECAR A FONTE [&#8230;] AT\u00c9 TROCAREM TIROS [&#8230;] AT\u00c9 CASAREM OS FILHOS [&#8230;] AT\u00c9 QUE ALGU\u00c9M DECIDA [&#8230;] AT\u00c9 O FIM DOS DIAS [&#8230;] AT\u00c9 QUE A MORTE OS UNA&#8221;<br>CHICO BUARQUE, \u201cO CASAMENTO DOS PEQUENOS BURGUESES\u201d. \u00d3PERA DO MALANDRO, 1978, UNIVERSAL.<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Quero argumentar aqui que a ideologia da fam\u00edlia tradicional brasileira \u00e9 significativamente representada por Jair Bolsonaro. Mas quero tamb\u00e9m instigar o questionamento se \u00e9 realmente esse modelo de fam\u00edlia que queremos conservar, uma vez que \u00e9 comum encontrarmos pessoas proclamando a defesa da fam\u00edlia em eventos e redes sociais. Mas n\u00e3o basta ter boas inten\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso entender o que est\u00e1 em jogo quando lutamos por algo. O conhecido slogan (\u201cDeus, P\u00e1tria, Fam\u00edlia\u201d) \u00e9 repetido em diversas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como forma de se opor \u00e0queles que s\u00e3o vistos como destruidores desses tr\u00eas eixos estruturantes da moralidade crist\u00e3 ocidental. Quero destacar o fulcro fam\u00edlia nesse texto. Em outro artigo, Mizael Pinto de Souza prop\u00f4s uma compreens\u00e3o teol\u00f3gico-exeg\u00e9tica do sentido de fam\u00edlia nos escritos sagrados do cristianismo, e vale a pena conferir. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A proposta aqui \u00e9 seguir um caminho complementar e pensar mais detidamente a dimens\u00e3o tradicional brasileira dessa alardeada fam\u00edlia. E \u00e9 preciso constatar desde o in\u00edcio que essa fam\u00edlia se acha vinculada diretamente ao modelo patriarcal colonial com seu sadismo, masoquismo, personalismo, paternalismo e mandonismo. Essa ideia de fam\u00edlia \u00e9 modeladora de um pretenso padr\u00e3o de normalidade. Nela, o homem pode tudo. Por isso mesmo, essa fam\u00edlia \u00e9 marcada por atividades extraconjugais e viol\u00eancia dom\u00e9stica. Na fam\u00edlia tradicional colonial, muitos homens mantinham rela\u00e7\u00e3o sexual conjugal apenas para a procria\u00e7\u00e3o, enquanto o prazer era buscado com as mulheres negras escravizadas, como tratou, por exemplo, Gilberto Freyre no cl\u00e1ssico Casa-grande &amp; senzala. Historicamente, as amantes e os filhos bastardos participavam do funcionamento estendido dessa tradicional fam\u00edlia brasileira. Bem conveniente e vantajoso para alguns homens defender esse tipo de fam\u00edlia, n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Urge ainda dizer que parte fundamental da hipocrisia dessa fam\u00edlia tradicional, desde seus come\u00e7os, \u00e9 o que decorre das trai\u00e7\u00f5es realizadas pelos homens: muitas mulheres se sentem culpadas pela infidelidade do marido, como se elas estivessem em d\u00edvida com seus esposos, o que justificaria o adult\u00e9rio. Al\u00e9m disso, a mulher nunca pode trair. O julgamento social sobre um homem ad\u00faltero \u00e9 bem diferente do ju\u00edzo sobre uma mulher que comete o ato. Para um homem \u00e9 apenas um deslize, enquanto para a mulher, motivo de extrema vergonha. Toda a luta para mudar esse quadro preconceituoso \u00e9 vista como um perigo \u00e0 machista tradicional fam\u00edlia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia no \u00e2mbito do lar, a fam\u00edlia tradicional \u00e9 uma realidade cruel e uma ideologia perversa para muitas mulheres e crian\u00e7as.  A famigerada fam\u00edlia tradicional pode escamotear trai\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. Uma pesquisa de opini\u00e3o recente, \u201cViol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar Contra a Mulher &#8211; 2021\u201d, realizada pelo Instituto DataSenado, em parceria com o Observat\u00f3rio da Mulher contra a Viol\u00eancia, constatou que a maioria das mulheres brasileiras (86%) percebeu um aumento na viol\u00eancia cometida contra pessoas do sexo feminino durante o \u00faltimo ano (cf. <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2021\/12\/09\/violencia-contra-a-mulher-aumentou-no-ultimo-ano-revela-pesquisa-do-datasenado\" target=\"_blank\">informa\u00e7\u00e3o<\/a>). A viol\u00eancia contra as crian\u00e7as implica em maus-tratos, neglig\u00eancias, abandonos e abusos, muitas vezes mascarando uma ideia violenta de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Vejamos como Jair Bolsonaro representa significativamente um modelo tradicional de fam\u00edlia brasileira. Essa fam\u00edlia branca, heterossexual e crist\u00e3 se orgulha de ser racista (&#8220;seria uma promiscuidade um filho meu se apaixonasse por uma negra&#8221;), homof\u00f3bica (&#8220;N\u00e3o posso admitir abrir a porta do meu apartamento e topar com um casal gay se despedindo com beijo na boca&#8221;), violenta (&#8220;se pegasse um filho fumando maconha, o torturaria&#8221;), elitista (&#8220;eu n\u00e3o entraria em um avi\u00e3o pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um m\u00e9dico cotista&#8221;), machista (\u201ceu tenho cinco filhos. Foram quatro homens; a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher\u201d) e cruel (&#8220;prefiro que um filho meu morra num acidente do que apare\u00e7a com um bigodudo por a\u00ed\u201d). Todas as express\u00f5es entre aspas foram proferidas por Bolsonaro e est\u00e3o facilmente dispon\u00edveis nos meios virtuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em 14 de fevereiro de 2000 foi publicada a entrevista \u201cEu defendo a tortura\u201d com o ent\u00e3o deputado Jair Bolsonaro \u00e0 jornalista Claudia Carneiro da revista Isto\u00c9 Gente n\u00famero 28. Ao ser perguntado pela rep\u00f3rter: \u201cE sobre a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto?\u201d. Ele responde: \u201cTem de ser uma decis\u00e3o do casal\u201d. E ela continua: \u201cO senhor j\u00e1 viveu tal situa\u00e7\u00e3o?\u201d. Ao que ele diz: \u201cJ\u00e1. Passei para a companheira. E a decis\u00e3o dela foi manter. Est\u00e1 ali, \u00f3\u201d. Nesse momento ele aponta para a foto de seu filho mais novo com Ana Cristina Valle, sua segunda esposa. Al\u00e9m de defender que o aborto \u00e9 uma decis\u00e3o do casal, algo inconceb\u00edvel pela pauta moral que o acompanha atualmente, a quest\u00e3o que importa lembrar \u00e9 que Renan foi concebido quando Bolsonaro e Ana Cristina <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2021\/05\/10\/ana-cristina-valle-bolsonaro-miss-rachadinha.htm\" target=\"_blank\">ainda estavam casados com outras pessoas.<\/a> Esse modelo de fam\u00edlia tradicional representado por Bolsonaro \u00e9 marcado por sugest\u00e3o de aborto (uma pauta que se perdeu), adult\u00e9rio (um assunto evitado) e recasamentos com esposas cada vez mais novas (um oportunismo conveniente), o que lhe garantiu a honraria de tr\u00eas casamentos: sendo, tr\u00eas filhos com a primeira esposa, um filho com a segunda e uma filha e uma enteada com a terceira e atual companheira, Michelle. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Quando voc\u00ea defende a fam\u00edlia tradicional, talvez em sua concep\u00e7\u00e3o esteja outro modelo de fam\u00edlia que n\u00e3o pode ser representado por Bolsonaro. Talvez voc\u00ea esteja pensando num casal unido pelo contrato matrimonial e pela gera\u00e7\u00e3o de filhos, sendo ainda uma fam\u00edlia aben\u00e7oada pela fidelidade e infinitude. Mas essa ideia normativa de fam\u00edlia raramente acontece de fato, como o pr\u00f3prio Bolsonaro exemplifica. E nesse ponto ele est\u00e1 bem longe da fam\u00edlia tradicional brasileira. Os seus sucessivos recasamentos est\u00e3o na m\u00e9dia nacional, onde os casamentos duram em torno de 13 anos, bem antes que a morte os separe. E, por isso mesmo, h\u00e1 muitas fam\u00edlias reconstru\u00eddas por pessoas que se divorciaram e refizeram fam\u00edlia, como \u00e9 o caso do pr\u00f3prio Bolsonaro. Por esses e outros motivos, existem fam\u00edlias que s\u00e3o compostas das mais diversas formas, bem al\u00e9m daquela eterna fam\u00edlia nuclear normativa. Se \u00e9 poss\u00edvel defender essa fam\u00edlia nuclear ideada ou reconstitu\u00edda, porque n\u00e3o aceitar tamb\u00e9m as outras formas de fam\u00edlia? Temos arranjos monoparentais, homoparentais, anaparentais etc. H\u00e1 tantas maravilhosas disposi\u00e7\u00f5es reais de fam\u00edlia que contemplam forma\u00e7\u00f5es com filhos biol\u00f3gicos ou adotivos, tendo pais e filhos em diversas combina\u00e7\u00f5es hetero e homoafetivas. Por isso mesmo, a fam\u00edlia tradicional brasileira \u00e9 um engodo opressor das outras tantas possibilidades. Existem m\u00faltiplas formas de se fazer fam\u00edlia. Mas h\u00e1 um elemento que impede a aceita\u00e7\u00e3o principalmente de uma forma de fam\u00edlia: o preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Voltando \u00e0 entrevista de Bolsonaro, outro ponto a destacar \u00e9 o que ele entende como realmente desestabilizador da fam\u00edlia tradicional brasileira: a homossexualidade; n\u00e3o seria a trai\u00e7\u00e3o ou a viol\u00eancia? Enfim, indaga-lhe a rep\u00f3rter: \u201cO que pensa sobre a uni\u00e3o civil entre pessoas do mesmo sexo?\u201d. E a sua resposta: \u201cEu sou contra. N\u00e3o posso admitir abrir a porta do meu apartamento e topar com um casal gay se despedindo com beijo na boca, e meu filho assistindo a isso\u201d. E a entrevistadora continua: \u201cTem algum homossexual na fam\u00edlia?\u201d. Ele prontamente diz: \u201cGra\u00e7as a Deus, n\u00e3o. Eu desconhe\u00e7o. Se tivesse, nem quero pensar\u201d. E a entrevistadora avan\u00e7a: \u201cE como o senhor trata da libera\u00e7\u00e3o sexual com seus filhos?\u201d. Bolsonaro diz: \u201cCertas coisas n\u00e3o se pode ser contra ou a favor. Prefiro que um filho meu leve uma namoradinha para dentro de minha casa, num dia que eu n\u00e3o esteja l\u00e1, do que ele ser rendido na rua e assassinado dentro de um carro\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No limite, essa obsess\u00e3o contra as minorais se torna a diretriz para distinguir o aceit\u00e1vel daquilo que deve ser recusado a qualquer custo. A indigna\u00e7\u00e3o maior de muitos defensores morais da tradicional fam\u00edlia brasileira n\u00e3o s\u00e3o os filhos abandonados, o racismo expl\u00edcito, o machismo opressor, os casamentos de fachada, as trai\u00e7\u00f5es recorrentes, o preconceito destruidor, a viol\u00eancia dom\u00e9stica etc. Eles n\u00e3o pavoneiam essas pautas imprescind\u00edveis como deveriam, pois revelaria a mentira que vivem. Para eles, o problema mesmo s\u00e3o as pessoas que se amam e querem constituir fam\u00edlia independente do g\u00eanero. Se n\u00e3o houver amor, diga-se de passagem, a pr\u00f3pria fam\u00edlia tradicional brasileira mant\u00e9m justamente a tradi\u00e7\u00e3o de ser apenas um embuste ideol\u00f3gico calcado numa moral debilitada e arrogante que procura se impor a qualquer custo, justamente a fim de dissimular sua hipocrisia e fragilidade. Chico Buarque foi muito feliz ao descrever o casamento que funda a tradicional fam\u00edlia brasileira. Eles juram amor eterno, mas s\u00f3 est\u00e3o na mesma casa esperando que algo aconte\u00e7a para a separa\u00e7\u00e3o. E querem que a sua infelicidade sirva de crit\u00e9rio para que outras fam\u00edlias n\u00e3o possam ser e existir. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:14px\">Nota sobre a imagem de destaque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fonte: Henrique Kipper, &#8220;Fam\u00edlia tradicional brasileira&#8221;, 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistaforum.com.br\/u\/fotografias\/m\/2016\/6\/1\/f804x452-15626_67559_0.jpg. Acesso em: 15 out 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Henrique Kipper, &#8220;Fam\u00edlia tradicional brasileira&#8221;, 2016. <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/10\/16\/voce-defende-a-tradicional-familia-brasileira-por-delcides-marques\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":687,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[24,26,30],"tags":[71,147,148,149,295],"class_list":["post-2421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-delcides-marques","category-moralidade","category-genero-feminismo-e-sexualidade","tag-bolsonaro","tag-familia","tag-familia-tradicional","tag-familia-tradicional-brasileira","tag-valores-cristaos"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/krisis.univasf.edu.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/minicurso-e2809ca-evoluc3a7c3a3o-bioenergc3a9tica-o-capitalismo-contemporc3a2neo-e-as-confiscac3a7c3b5es-dos-mundos-possc3adveise2809d-proferido-pelo-professor-dr-jorge-mattar-v1-scaled.jpg?fit=2560%2C2076&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2421"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2421\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}