{"id":2445,"date":"2023-03-18T09:05:22","date_gmt":"2023-03-18T12:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1036"},"modified":"2023-03-18T09:05:22","modified_gmt":"2023-03-18T12:05:22","slug":"ruah-sopro-revolucionario-a-nos-impulsionar-por-priscilla-dos-reis-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2023\/03\/18\/ruah-sopro-revolucionario-a-nos-impulsionar-por-priscilla-dos-reis-ribeiro\/","title":{"rendered":"\u201cRuah: sopro revolucion\u00e1rio a nos impulsionar\u201d, por Priscilla dos Reis Ribeiro"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ruah \u00e9 uma palavra feminina usada nos textos b\u00edblicos para se referir ao Esp\u00edrito Santo, mas significa literalmente \u201cvento\u201d, \u201csopro\u201d e \u201cesp\u00edrito\u201d. Aprendemos com os hebreus em sua caminhada de f\u00e9, em meio a viv\u00eancias diversas das nossas, e que viam nas andan\u00e7as da hist\u00f3ria e suas transforma\u00e7\u00f5es a manifesta\u00e7\u00e3o do seu Deus; que as emo\u00e7\u00f5es divinas s\u00e3o o motor ou o fio condutor da hist\u00f3ria. Sim, um Deus que \u00e9 movido pelo seu amor, pelos seus \u201centranh\u00e1veis afetos\u201d, \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es mais belas que o texto b\u00edblico, especialmente o Evangelho nos ensina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">N\u00e3o h\u00e1 como negar que a imagem materna da divina Ruah \u00e9 linda, poderosa e cheia de significados afetivos! Podemos perceber que esse Esp\u00edrito transbordante de vida, feminina como a respira\u00e7\u00e3o universal, a for\u00e7a motora do pr\u00f3prio Deus, chocando como uma galinha \u00e9 o terreno f\u00e9rtil de onde brotam todas as maravilhas criadas em todos os universos e mundos poss\u00edveis, multiversos que vemos ou n\u00e3o&#8230; Esse Esp\u00edrito est\u00e1 sempre presente, tecendo as redes da vida, nutrindo de seiva tudo que \u00e9 gerado e nasce, levando pela m\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o do seu nascimento at\u00e9 a sua plena consuma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Todos os que foram cheios desse sopro vital pautaram suas vidas pelos princ\u00edpios da den\u00fancia da opress\u00e3o, da desigualdade e da injusti\u00e7a, e n\u00e3o somente isso, tamb\u00e9m viveram para descortinar o an\u00fancio do reino de paz, justi\u00e7a e alegria que seria inaugurado com o Messias e continuado por n\u00f3s. A isso chamamos profetismo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">E quanto a n\u00f3s, filhos de Pindorama? O que temos a dizer sobre isso? Como falamos sobre a divina Ruah em sua atua\u00e7\u00e3o desde a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 as revolu\u00e7\u00f5es silenciosas (ou n\u00e3o) na nossa m\u00e1tria, Am\u00e9rica Latina, especialmente em tempos t\u00e3o delicados politicamente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Relembre os profetas e as profetisas dos quais temos not\u00edcia nos dois Testamentos, nossos ancestrais espirituais que deixaram como mem\u00f3ria a consci\u00eancia plena de que o fogo que aquece, brilha e ilumina n\u00e3o pode ser extinto, mesmo na noite mais escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Falar sobre a Ruah \u00e9 falar tamb\u00e9m sobre o sopro e inspira\u00e7\u00e3o que permite que tenhamos habilidade para administrar com justi\u00e7a os recursos que dispomos, para que tamb\u00e9m possamos trabalhar pela promo\u00e7\u00e3o da vida e n\u00e3o s\u00f3 isso; \u00e9 a Ruah quem faz com que sejamos capazes de produzir arte para que o mundo n\u00e3o se desencante diante de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c9 a divina Ruah quem permite que tenhamos janelas sempre abertas e olhos que enxergam a poesia e a beleza da Eternidade na vida di\u00e1ria, no p\u00e3o com caf\u00e9 das manh\u00e3s, no presente que recebemos graciosamente quando vemos uma semente brotar e virar alimento, no arroz quentinho na panela, nos beijos de amor. Quanta riqueza, minha gente! Quantas d\u00e1divas recebemos atrav\u00e9s da Ruah, m\u00e3e, generosa, Pachamama que nos impulsiona para o novo, para a revolu\u00e7\u00e3o do bem viver que nossos povos origin\u00e1rios nos ensinam a tantos mil\u00eanios. Ailton Krenak em \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil\u201d nos faz uma provoca\u00e7\u00e3o muito pertinente:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-small-font-size\"><blockquote><p><\/p><cite>\u201cA vida atravessa tudo, atravessa uma pedra, a camada de oz\u00f4nio, geleiras. A vida vai dos oceanos para a terra firma, atravessa de norte a sul, como uma brisa, em todas as dire\u00e7\u00f5es. A vida \u00e9 esse atravessamento do organismo vivo do planeta numa dimens\u00e3o imaterial. Em vez de ficarmos pensando no organismo da Terra respirando. o que \u00e9 muito dif\u00edcil, pensemos na vida atravessando montanhas, galerias, rios, florestas. A vida que a gente banalizou, que as pessoas nem sabem o que \u00e9 e pensam que \u00e9 s\u00f3 uma palavra. Assim como existem palavras \u201cvento\u201d, \u201cfogo\u201d, \u201c\u00e1gua\u201d, as pessoas acham que pode haver a palavra \u201cvida\u201d, mas n\u00e3o. Vida \u00e9 transcend\u00eancia, est\u00e1 para ale\u1e3f do dicion\u00e1rio, n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o.\u201d (KRENAK, Ailton. <em>A vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2020.)<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao ler isso, imaginei um di\u00e1logo onde esse irm\u00e3o ind\u00edgena, latino-americano e contempor\u00e2neo nosso conversa ao p\u00e9 do fogo numa noite estrelada com Hildegard von Bingen, santa alem\u00e3, m\u00edstica medieval e doutora da igreja que viveu no s\u00e9culo 12. Nessa conversa imagin\u00e1ria, ela diz a ele com toda sabedoria: \u201cAilton, n\u00e3o se aflija pois o Esp\u00edrito \u00e9 \u2018vida da vida de toda criatura\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Voc\u00ea pode estar se perguntando o que isso tem a ver conosco nesse mundo p\u00f3s pand\u00eamico, num pa\u00eds onde tantos parecem n\u00e3o se importar com as causas urgentes da vida. O que isso tem a ver com quem pega transporte p\u00fablico lotado para trabalhar, que tem as m\u00e3os feridas por cultivar a terra, fa\u00e7a chuva ou sol, que precisa contar cada moeda no fim do m\u00eas para pagar as contas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Venho atrav\u00e9s dessas palavras, relembrar A Boa Not\u00edcia: saiba que a divina Ruah conta conosco para se mover, ser reconhecida e virar pot\u00eancia revolucion\u00e1ria nesse mundo! Lembre-se do movimento dos seguidores de Jesus que, ao inv\u00e9s de separar pessoas a partir de r\u00f3tulos e supostas diferen\u00e7as, foi levado pela Ruah-vento-fogo-Esp\u00edrito que, descendo sobre um grupo de gente absolutamente diversa, fez com que uma nova irmandade pudesse nascer. Na comunidade da f\u00e9, unida pelo Cristo vivo no corpo de cada um que caminha com Ele, precisamos de todos juntos para aquecer o cora\u00e7\u00e3o e colocar brilho nos olhos, para lutar para que todas as vozes possam se levantar em den\u00fancia da opress\u00e3o e para que nossas a\u00e7\u00f5es sejam comprometidas com o an\u00fancio da liberta\u00e7\u00e3o, como nos ensina a teologia nascida no ch\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, t\u00e3o diversa e potente, inconformada com as desigualdades sociais e cheia de do\u00e7ura po\u00e9tica tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">E quanto aos dons e habilidades de administrar os recursos que s\u00e3o de todos para que n\u00e3o haja falta, para que haja democracia, paridade, equidade? E quanto ao cora\u00e7\u00e3o que fomenta a arte&#8230; as m\u00e3os artes\u00e3s&#8230; o canto que tange as cordas c\u00f3smicas? Sim, at\u00e9 nisso a Ruah nos presenteia e \u00e9 por isso que podemos dizer sem medo que toda vez que as engrenagens do mundo s\u00e3o movidas por uma for\u00e7a encantada e silenciosa para que a humanidade, unida, como irm\u00e3os e irm\u00e3s, caminhe um passo de cada vez na dire\u00e7\u00e3o dos ideais do Reino que s\u00e3o paz, justi\u00e7a e alegria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A cada vez que a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa do Evangelho nos faz desejar lutar pela verdade no nosso pa\u00eds, sempre que em nossas mesas temos alimento e afeto para compartilhar, sabendo que habitamos temporariamente a Casa Comum e por isso nada \u00e9 nosso, vemos ent\u00e3o a Ruah diante de n\u00f3s, nos conduzindo amorosamente pela m\u00e3o e nos levando como m\u00e3e cuidadosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ela j\u00e1 estava movendo os ciclos que favorecem a vida desde antes de chegarmos a esse planeta e segue fortalecendo nosso corpo na resist\u00eancia frente a tudo que amea\u00e7a a vida, a diversidade e a felicidade para o qual fomos chamados no Cristo libertador. \u201c\u00c9 preciso estar atento e forte\u201d, j\u00e1 cantavam os Tropicalistas, por isso termino com uma singela ora\u00e7\u00e3o: \u201cRuah seja tudo em n\u00f3s &#8211; criadora, prof\u00e9tica e generosa em dons.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos juntos!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> KRENAK, Ailton. <em>A vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> GIL, Gilberto e VELOSO, Caetano.\u201d Divino maravilhoso\u201d. In ___. <em>Gal Costa,<\/em> Philips,1969, Faixa 2, lado B.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[30,39,42,47],"tags":[107,133,158,259,297,298],"class_list":["post-2445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-genero-feminismo-e-sexualidade","category-linguagem","category-priscilla-dos-reis-ribeiro","category-teologia","tag-deus","tag-espirito","tag-forca","tag-ruah","tag-vento","tag-vida"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2445"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}