{"id":2455,"date":"2023-05-31T19:02:18","date_gmt":"2023-05-31T22:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1107"},"modified":"2023-05-31T19:02:18","modified_gmt":"2023-05-31T22:02:18","slug":"o-decodificador-de-maravilhamentos-por-priscilla-dos-reis-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2023\/05\/31\/o-decodificador-de-maravilhamentos-por-priscilla-dos-reis-ribeiro\/","title":{"rendered":"&#8220;O decodificador de maravilhamentos&#8221;, por Priscilla dos Reis Ribeiro"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Deus \u00e9 uma saudade que pega a gente de jeito quando, por entre as frestas da brutalidade do cotidiano, a beleza nos surpreende. N\u00e3o sei como isso se processa com voc\u00ea, se s\u00e3o pequenos deslumbres fugidios ou se s\u00e3o alumbramentos constantes a te perseguir as sensibilidades. No meu caso, tenho a ben\u00e7\u00e3o de ser agraciada com essas pequenas teofanias quase que diariamente muito embora tenha que confessar que em alguns dias olho a pedra e vejo pedra apenas, como Ad\u00e9lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na verdade, a pergunta que frequentemente ronda minha cabe\u00e7a \u00e9: por que a beleza ainda seduz? O que faz nosso cora\u00e7\u00e3o bater mais forte, os olhos vazarem feito mar\u00e9 alta e o cora\u00e7\u00e3o experimentar uma do\u00e7ura \u00fanica diante de um momento, um cheiro ou at\u00e9 mesmo um som? Por que ainda nos deslumbramos num mundo onde a barb\u00e1rie da impessoalidade, da desigualdade e da falta de amor existem e persistem em nos desanimar? Mesmo ap\u00f3s tantas teorias cientificistas, antropol\u00f3gicas e sociol\u00f3gicas, por que o p\u00f4r do sol, as flores e os beijos apaixonados ainda fazem sentido para a alma? Estas e tantas outras quest\u00f5es se revelam cada dia mais pertinentes em tempos l\u00edquidos onde pouco do que valorizamos n\u00e3o se dilui totalmente frente \u00e0 voracidade da vida. Se algo fica nesta peneira, quero saber porque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em meu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontro outra sa\u00edda: as quest\u00f5es ligadas ao belo, ao bom, ao justo sempre levam de volta para o Eterno. \u00c9 um caminho demarcado que vai dar sempre n&#8217;Aaquele que p\u00f4s o decodificador de maravilhamentos em n\u00f3s. \u00c9 diante da eternidade e na presen\u00e7a do Eterno que est\u00e1 a casa do cora\u00e7\u00e3o&#8230; sim, aquele lugar que visitamos t\u00e3o dentro de n\u00f3s mesmos que acaba saindo, como num &#8220;buraco de minhoca&#8221;, em outra dimens\u00e3o existencial. E nessa outra dimens\u00e3o, a beleza que deslumbra aponta para o Grande Esp\u00edrito Eterno, o Pai das luzes, a Divina Ruah que sustenta tudo que existe neste imenso cosmos, ordenado e diverso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O que se pode enxergar nesses multiversos que nos rodeiam est\u00e1 impregnado da diversidade de belezas que conduzem nossa reflex\u00e3o para perguntas que por vezes n\u00e3o t\u00eam resposta mas ensinam que aprender a conviver com os paradoxos da vida \u00e9 necess\u00e1rio. Nem sempre as melhores respostas s\u00e3o os trof\u00e9us que desejamos alcan\u00e7ar. As perguntas, sim, s\u00e3o elas que devem nos impulsionar, que devem guiar nossa puls\u00e3o de vida pela m\u00e3o para que o estancamento existencial n\u00e3o venha a nos acometer como doen\u00e7a terminal e nos vejamos mortos em vida, sem desejo a nos arder por dentro, sem brilho de boniteza nos olhos, sem poesia nos l\u00e1bios, sem partilha no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">S\u00f3 sei que pela porta entreaberta da Opy&#8217;i (Casa de Reza dos Guarani Mbya), na fotografia que ilustra este pequeno exerc\u00edcio de teopo\u00e9tica, registrei a riqueza da simplicidade da Casa Comum: um dia lindo, c\u00e9u de claridade intensa, verde brilhante na vegeta\u00e7\u00e3o e tons de marrom na terra de onde viemos, da qual dependemos e para onde iremos voltar. Elementos t\u00e3o corriqueiros que passamos por eles quase todos os dias e nem ouvimos o transbordar do testemunho da gra\u00e7a de existir. Perceber a bondade que sustenta as cores que quase arrombam a retina de quem v\u00ea (como canta Chico) \u00e9 fascinante porque delas pendem as aquarelas com as quais pintamos nosso dia a dia. Neste ato de embelezar o tempo com palhetas de tonalidades diversas, rimas fartas, cheiros e sabores v\u00edvidos, pode-se degustar de variadas formas a vida e isso \u00e9 o que nos cabe enquanto aqui estivermos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Meu convite a voc\u00ea \u00e9 que se permita apreciar com olhos de crian\u00e7a rec\u00e9m chegada a este recanto azul de Via L\u00e1ctea, os lampejos de Eternidade onde as lembran\u00e7as do Deus amante nos enternece o cora\u00e7\u00e3o.\u00a0 O salmista j\u00e1 nos disse que &#8220;a terra est\u00e1 cheia da bondade de Nhanderu.&#8221; (Salmo 33:5). Cabe a n\u00f3s, artes\u00e3os do tempo que temos nessa estadia planet\u00e1ria, bordar a mais bela tape\u00e7aria poss\u00edvel. Que ao menor contato do ordin\u00e1rio da vida com nossos sentidos, nossos sensores da Beleza que a tudo enche nos guie o pensamento e os afetos de volta para a casa imensa que \u00e9 o colo da divina Ruah. Sigamos pelas trilhas do mist\u00e9rio!<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[48,21,42,47],"tags":[68,107,285,286,295],"class_list":["post-2455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-cultura","category-cultura","category-priscilla-dos-reis-ribeiro","category-teologia","tag-beleza","tag-deus","tag-teofania","tag-teologia","tag-valores-cristaos"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/krisis.univasf.edu.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG-20230531-WA0039.jpg?fit=720%2C710&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2455"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2455\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}