{"id":2501,"date":"2024-06-15T18:08:45","date_gmt":"2024-06-15T21:08:45","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=1288"},"modified":"2024-06-15T18:08:45","modified_gmt":"2024-06-15T21:08:45","slug":"a-biblia-e-a-mulher-leis-injustas-por-silvia-gerusa-f-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2024\/06\/15\/a-biblia-e-a-mulher-leis-injustas-por-silvia-gerusa-f-rodrigues\/","title":{"rendered":"&#8220;A B\u00edblia e a mulher &#8211; Leis injustas&#8221;,  por Silvia Gerusa F. Rodrigues"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"font-size:17px\"><blockquote><p><\/p><cite><sup>11&nbsp;<\/sup>Ent\u00e3o o Senhor disse a Mois\u00e9s:<br><sup>12&nbsp;<\/sup>&#8220;Diga o seguinte aos israelitas: Se a mulher de algu\u00e9m se desviar e lhe for infiel,<br><sup>13&nbsp;<\/sup>e outro homem deitar-se com ela, e isso estiver oculto de seu marido, e a impureza dela n\u00e3o for descoberta, por n\u00e3o haver testemunha contra ela nem tiver ela sido pega no ato;<br><sup>14&nbsp;<\/sup>e se o marido dela tiver ci\u00fames e suspeitar de sua mulher, esteja ela pura ou impura,<br><sup>15&nbsp;<\/sup>ele a levar\u00e1 ao sacerdote, com uma oferta de um jarro de farinha de cevada em favor dela. N\u00e3o derramar\u00e1 azeite nem por\u00e1 incenso sobre a farinha, porque \u00e9 uma oferta de cereal pelo ci\u00fame, para que se revele a verdade sobre o pecado.<br><sup>16&nbsp;<\/sup>&#8220;O sacerdote trar\u00e1 a mulher e a colocar\u00e1 perante o Senhor.<br><sup>17&nbsp;<\/sup>Ent\u00e3o apanhar\u00e1 um pouco de \u00e1gua sagrada num jarro de barro e colocar\u00e1 na \u00e1gua um pouco do p\u00f3 do ch\u00e3o do tabern\u00e1culo.<br><sup>18&nbsp;<\/sup>Depois de colocar a mulher perante o Senhor, o sacerdote soltar\u00e1 o cabelo dela e por\u00e1 nas m\u00e3os dela a oferta memorial, a oferta pelo ci\u00fame, enquanto ele mesmo ter\u00e1 em sua m\u00e3o a \u00e1gua amarga que traz maldi\u00e7\u00e3o.<br><sup>19&nbsp;<\/sup>Ent\u00e3o o sacerdote far\u00e1 a mulher jurar e lhe dir\u00e1: Se nenhum outro homem se deitou com voc\u00ea e se voc\u00ea n\u00e3o foi infiel nem se tornou impura enquanto casada, que esta \u00e1gua amarga que traz maldi\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe fa\u00e7a mal.<br><sup>20&nbsp;<\/sup>Mas, se voc\u00ea foi infiel enquanto casada e se contaminou por ter se deitado com um homem que n\u00e3o \u00e9 seu marido \u2014<br><sup>21&nbsp;<\/sup>ent\u00e3o o sacerdote far\u00e1 a mulher pronunciar este juramento com maldi\u00e7\u00e3o \u2014 que o Senhor fa\u00e7a de voc\u00ea objeto de maldi\u00e7\u00e3o e de desprezo no meio do povo fazendo que a sua barriga inche e que voc\u00ea jamais tenha filhos.<br><sup>22&nbsp;<\/sup>Que esta \u00e1gua que traz maldi\u00e7\u00e3o entre em seu corpo, inche a sua barriga e a impe\u00e7a de ter filhos. &#8220;Ent\u00e3o a mulher dir\u00e1: \u2018Am\u00e9m. Assim seja\u2019.<br><sup>23&nbsp;<\/sup>&#8220;O sacerdote escrever\u00e1 essas maldi\u00e7\u00f5es num documento e depois as lavar\u00e1 na \u00e1gua amarga.<br><sup>24&nbsp;<\/sup>Ele a far\u00e1 beber a \u00e1gua amarga que traz maldi\u00e7\u00e3o, e essa \u00e1gua entrar\u00e1 nela, causando-lhe amargo sofrimento.<br><sup>25&nbsp;<\/sup>O sacerdote apanhar\u00e1 das m\u00e3os dela a oferta de cereal pelo ci\u00fame, a mover\u00e1 ritualmente perante o Senhor e a trar\u00e1 ao altar.<br><sup>26&nbsp;<\/sup>Ent\u00e3o apanhar\u00e1 um punhado da oferta de cereal como oferta memorial e a queimar\u00e1 sobre o altar; depois disso far\u00e1 a mulher beber a \u00e1gua.<br><sup>27&nbsp;<\/sup>Se ela houver se contaminado, sendo infiel ao seu marido, quando o sacerdote fizer que ela beba a \u00e1gua que traz maldi\u00e7\u00e3o, essa \u00e1gua entrar\u00e1 nela e causar\u00e1 um amargo sofrimento; sua barriga inchar\u00e1 e ela, incapaz de ter filhos, se tornar\u00e1 objeto de maldi\u00e7\u00e3o entre o seu povo.<br><sup>28&nbsp;<\/sup>Se, por\u00e9m, a mulher n\u00e3o houver se contaminado, mas estiver pura, n\u00e3o sofrer\u00e1 puni\u00e7\u00e3o e ser\u00e1 capaz de ter filhos.<br><sup>29&nbsp;<\/sup>&#8220;Esse \u00e9, pois, o ritual quanto ao ci\u00fame, quando uma mulher for infiel e se contaminar enquanto casada,<br><sup>30&nbsp;<\/sup>ou quando o ci\u00fame se apoderar de um homem porque suspeita de sua mulher. O sacerdote a colocar\u00e1 perante o Senhor e a far\u00e1 passar por todo esse ritual.<br><sup>31&nbsp;<\/sup>Se a suspeita n\u00e3o se confirmar, o marido estar\u00e1 inocente, do contr\u00e1rio a mulher sofrer\u00e1 as consequ\u00eancias da sua iniquidade&#8221;.&nbsp;<br>Nm 5: 11-31<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Existem v\u00e1rios relatos no Antigo Testamento onde a mulher \u00e9 abandonada, desvalidada e injustamente punida. Poderia citar Hagar, serva de Sara e Abra\u00e3o, que depois de ter dado um filho ao casal, por causado ci\u00fame de Sara do seu filho Ismael, expulsaram-na de casa, enviada com um cantil de \u00e1gua e um peda\u00e7o de p\u00e3o juntamente com seu filho, para o deserto. Certamente, Sara tinha esperan\u00e7a de que ambos morressem abandonados de fome e sede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Poderia tamb\u00e9m citar a lei que dizia que a jovem teria que casar-se com o estuprador em Deuteron\u00f4mio 22:28-29 \u201cQuando um homem achar uma mo\u00e7a virgem, que n\u00e3o for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados,&nbsp;29 ent\u00e3o, o homem que se deitou com ela dar\u00e1 ao pai da mo\u00e7a cinquenta&nbsp;siclos&nbsp;de prata; e, porquanto a humilhou, lhe ser\u00e1 por mulher; n\u00e3o a poder\u00e1 despedir em todos os seus dias.\u201d. Segundo historiadores, essa lei era para prote\u00e7\u00e3o da jovem estuprada, pois sem virgindade ela ficaria desprotegida e n\u00e3o casaria jamais. Seu destino seria a prostitui\u00e7\u00e3o ou a mendic\u00e2ncia, mas em \u00faltima an\u00e1lise, se a mulher era estuprada, mesmo que n\u00e3o fosse culpa dela, a sociedade a desprezaria.(Sugiro a leitura do mito de Medusa).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dentre todos os casos de desvalida\u00e7\u00e3o da mulher, principalmente ao perder sua moeda de troca \u201ca virgindade\u201d, gostaria de focar no castigo de levar a mulher perante o sacerdote no caso de ci\u00fames e suspeita do marido: importante observar que a inoc\u00eancia dela fica inteiramente ao dispor do sacerdote`. Como acreditar que um ch\u00e1 amargo mostraria se a mulher havia ou n\u00e3o sido infiel? E ao provar sua inoc\u00eancia, ap\u00f3s passar pela humilha\u00e7\u00e3o e o sabor \u201camargo\u201d, literalmente, do ch\u00e1, o marido n\u00e3o sofre nenhuma puni\u00e7\u00e3o, e pior, essa mulher precisa voltar a se submeter a morar debaixo do mesmo teto de um homem que humilhou, imagina o que n\u00e3o far\u00e1 em casa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Podemos ter uma ideia de como seria uma sociedade patriarcal baseada no Antigo Testamento no seriado dist\u00f3pico <em>Contos de Aia<\/em> (Handsmaid Tale), baseado em um livro sob o mesmo nome, escrito pela canadense Margaret Atwood, vemos uma sociedade patriarcal, interessada em criar um regime \u201cb\u00edblico\u201d aos moldes do Antigo Testamento, onde eles prendem as mulheres l\u00e9sbicas, divorciadas, m\u00e3e solos e as retira do mercado de trabalho e as leva a uma sociedade para ter filhos por casais cujas esposas s\u00e3o est\u00e9reis. Os absurdos que vemos nessa s\u00e9rie, pode nos dar uma ideia de como era a sociedade do Antigo Testamento, onde a mulher era objeto de troca comercial e um centro de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, vivemos um retrocesso. A mulher conseguiu o direito de voto, apenas no s\u00e9culo XX. A mulher ainda tem o Estado pesando a m\u00e3o e subjugando-a a horrores impens\u00e1veis. N\u00e3o basta o fato de que no Brasil ocorre um estupro a cada 37 minutos e 75% dos estupros acontecem dentro de casa. Em 2023 o n\u00famero de estupros em S\u00e3o Paulo bateu um recorde hist\u00f3rico: mais de 14.000 casos. E agora, uma PL 1904 sugere que a mulher estuprada que cometer aborto dever\u00e1 pegar at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o, enquanto o estuprador ter\u00e1 no m\u00e1ximo 10 anos. Por isso, essa PL est\u00e1 sob o codinome de \u201cPL do estuprador,\u201d e com propriedade. Sim, o n\u00famero maior de mulheres estupradas \u00e9 de 15 anos! Ent\u00e3o, o Governo quer obrigar essas adolescentes a viver uma gesta\u00e7\u00e3o de um monstro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Uma pergunta paira no ar: Quando a adolescente tiver esse filho, ou essa filha, o Governo a amparar\u00e1? Dar\u00e1 condi\u00e7\u00f5es emocionais e financeiras para que a crian\u00e7a cres\u00e7a? Ou a abandonar\u00e1 ao seu destino?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia \u00e9 a favor de um aborto. Mas, no caso do estupro, a adolescente ou a mulher ser\u00e1 condenada a viver nove meses com a mem\u00f3ria do ocorrido, e ainda ter\u00e1 que conviver, provavelmente, com o estuprador pelo resto da sua vida, ou ser\u00e1 abandonada ao l\u00e9u, talvez at\u00e9 pelos pais, porque em \u00faltima an\u00e1lise, a culpa acaba pairando sobre a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A teocracia \u00e9 no m\u00ednimo cruel para com as mulheres. Enquanto n\u00e3o formos valorizadas, tivermos nossa cidadania livre, nossos corpos livres, s\u00f3 nos resta resistir. Vamos \u00e0s ruas, gritemos, elejamos mulheres na pol\u00edtica, mas mulheres emp\u00e1ticas e que entendam que basta de nos deixar submetidas a humilha\u00e7\u00f5es e ao bel prazer da luta pelo poder sobre nossos corpos. N\u00e3o nos enganemos, essa PL n\u00e3o \u00e9 sobre o aborto, \u00e9 sobre poder, com fins politiqueiros, populistas para aplacar a crise dos partidos med\u00edocres e de genocidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mulheres, levantem suas vozes e sejam libertas do jugo desnecess\u00e1rio do patriarcado!<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2024\/06\/15\/a-biblia-e-a-mulher-leis-injustas-por-silvia-gerusa-f-rodrigues\/\">Leia mais&#8230; &raquo;<\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[30,39,45,47],"tags":[69,140,210,211,7,295],"class_list":["post-2501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-genero-feminismo-e-sexualidade","category-linguagem","category-silvia-geruza","category-teologia","tag-biblia","tag-evangelicos","tag-mulher-evangelica","tag-mulheres","tag-politica","tag-valores-cristaos"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2501"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2501\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}