{"id":905,"date":"2022-12-23T08:55:05","date_gmt":"2022-12-23T11:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/profanum.com.br\/?p=905"},"modified":"2022-12-23T08:55:05","modified_gmt":"2022-12-23T11:55:05","slug":"a-espiritualidade-natalina-e-a-simplicidade-da-manjedoura-por-everton-almeida-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/2022\/12\/23\/a-espiritualidade-natalina-e-a-simplicidade-da-manjedoura-por-everton-almeida-pereira\/","title":{"rendered":"&#8220;A espiritualidade natalina e a simplicidade da manjedoura&#8221;, por Everton Almeida Pereira"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"font-size:16px\"><blockquote><p><\/p><cite>Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 o desejo de Deus, <br>seu maior sonho transformado em corpo, sua confiss\u00e3o de amor entre n\u00f3s<div>(Rubem Alves)<\/div><\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nesses \u00faltimos dias que antecedem o Natal, n\u00e3o raro se \u00e9 tomado por uma certa nostalgia. Mem\u00f3rias afetivas, familiares, m\u00e3os que se tocam, abra\u00e7os que se d\u00e3o, cenas da vida que aquecem o cora\u00e7\u00e3o, v\u00e9spera de Natal.  A experi\u00eancia natalina mora no limite do <strong><em>vivido<\/em><\/strong>, do <strong><em>agora<\/em><\/strong> e do <strong><em>ainda n\u00e3o<\/em><\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong><em>Vivido<\/em><\/strong>, a mem\u00f3ria do Cristo menino na fr\u00e1gil manjedoura protegido e cuidado por seus humildes e pobres pais em um lugar incerto na Palestina do primeiro s\u00e9culo. <strong><em>Mem\u00f3ria da natividade<\/em><\/strong> nascida e preservada com zelo pelas pobres comunidades primitivas que conspiravam a mesma f\u00e9 no menino Deus que inverteu com o seu advento o solo seguro das f\u00e9s hegem\u00f4nicas, ufanistas, dos pante\u00f5es dos deuses que dominavam o mundo <em>ex nihil<\/em>, assentados em tronos c\u00f3smicos que comandavam as hostes celestiais e o destino da humanidade como quem manipula pe\u00e7as inanimadas em um tabuleiro ao sabor dos seus quereres, indiferentes \u00e0s sortes dos homens, meros mortais, que condenados s\u00e3o obrigados a rastejar por toda a vida o peso de sua m\u00edsera mortalidade, signo indel\u00e9vel de sua essencial indignidade.   <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Jesus, a alegria dos homens (da humanidade) prefere a manjedoura ao trono, opta pelo est\u00e1bulo aos pal\u00e1cios, escolhe ser encarnado num fr\u00e1gil beb\u00ea de colo, sendo acarinhado, embalado e ninado, a ser adulto autossuficiente. O pres\u00e9pio, arte que tem o seu solo de nascimento na Idade M\u00e9dia, foi o recurso pedag\u00f3gico de transmiss\u00e3o da mensagem natalina e assim como as per\u00edcopes do Novo Testamento, fazem sonhar o leitor com essa noite perfeita de amor, paz e prote\u00e7\u00e3o, onde no centro da cena est\u00e1 o Emanuel, Deus conosco, menino Deus, ra\u00edz de Davi. Jesus na manjedoura \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o da paz e da prote\u00e7\u00e3o divina patermaternal. O divino e o humano protegem Jesus em sua manjedoura humilde, humanamente divina. Noite de paz, noite de amor, noite feliz! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na imobilidade da cena de Jesus est\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de Deus pelos pobres, pelos fracos, pelos refugiados, pelos sem tetos, pelas v\u00edtimas do mercado, o deus deste s\u00e9culo. Nada de trono imponente de ouro e pedras preciosas, lugares inacess\u00edveis aos homens, o Olimpo, a assembleia dos deuses. O menino Deus est\u00e1 na manjedoura, signo da humildade e concomitantemente, da marginalidade, da clandestinidade e da invisibilidade. Os Evangelhos narram e eternizam a natividade em palavras para a pouca gente letrada dos primeiros s\u00e9culos do cristianismo. Os pres\u00e9pios contam e perenizam o nascimento do Divino-Menino para a gente iletrada de todos os tempos, gente que busca nessa vida uma manjedoura para compartilhar com aqueles que n\u00e3o t\u00eam onde reclinar a cabe\u00e7a. Narrativas e mem\u00f3ria constituem o vivido e o el\u00e3 vital do Natal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A dimens\u00e3o do <strong><em>agora<\/em><\/strong> aponta a crueza e realidade dessa vida na periferia do mundo (Jesus tamb\u00e9m foi perif\u00e9rico), onde milh\u00f5es de pessoas padecem de fome, viol\u00eancia, medo, desemprego, trag\u00e9dias anunciadas e produzidas por necropoderes, gestores e amantes da morte com as suas infinitas faces sombrias. Assim como Jesus nasceu sob o signo do desterro, menino de dores, rebento de uma fam\u00edlia de pais refugiados, agora e ainda permanecem as persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, religiosas, os discursos de \u00f3dio, o preconceito, a intoler\u00e2ncia, os dilemas clim\u00e1ticos e outros desafios estruturais que condenam milhares de pessoas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de refugiados e que procuram em terras estrangeiras a sobreviv\u00eancia em meio ao desespero, \u00e0 dor e \u00e0 saudade da terra natal &#8211; novo mundo, velhos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O <strong><em>ainda n\u00e3o<\/em><\/strong> \u00e9 a expectativa, a esperan\u00e7a, a utopia do Reino anelado no \u00edntimo mais profundo dos cora\u00e7\u00f5es que sofrem e sonham com todas as fr\u00e1geis for\u00e7as do seu ser, a instaura\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Reino do menino Deus que \u00e9 o sonho dos pobres, dos miser\u00e1veis, dos exclu\u00eddos. O natal \u00e9 em si o protesto em prol da vida, o grito dos indignados e dos esquecidos e \u00e9 por isso que os poderosos &#8220;deste s\u00e9culo&#8221; odeiam o natal, odeiam a ideia e a imagem de um Deus que se fez pobre e habitou entre os miser\u00e1veis do mundo, essa imagem n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel e portanto n\u00e3o serve aos novos prop\u00f3sitos natalinos. O natal do mercado \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o da aporofobia. N\u00e3o h\u00e1 lugares para os pobres nos natais contempor\u00e2neos, n\u00e3o h\u00e1 manjedouras, apenas ber\u00e7os espl\u00eandidos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No  in\u00edcio, tentaram impedir o Cristo de vingar (vide Mateus 2.13-23) e hoje capitalizaram e transformaram o Natal em consumismo esvaziado de \u00e1urea, transformando a celebra\u00e7\u00e3o em louvores ao mercado com os seus ritos de compra e venda, fetiche da mercadoria. Esse \u00e9 provavelmente um dos golpes mais duros que a celebra\u00e7\u00e3o recebeu nesses mais de dois mil anos: apagar da mem\u00f3ria a celebra\u00e7\u00e3o da natividade do deus-Menino, e no lugar da manjedoura se erigir um novo templo que ocupa o centro da vida contempor\u00e2nea, os shoppings centers com  as suas vitrines repletas das mais inessenciais novidades e mais recentemente, as lojas virtuais e com elas se instaura a completa ressignifica\u00e7\u00e3o e reifica\u00e7\u00e3o natalina. Novos s\u00edmbolos, nova linguagem, novo significado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como diria o mestre j\u00e1 encantado Rubem Alves, \u201cfalar sobre Deus, n\u00e3o \u00e9 falar sobre Deus. \u00c9 falar sobre o seu desejo, para n\u00f3s. \u00c9 isto apenas que conhecemos: Deus para n\u00f3s, pro nobis, face humana.\u201d Assim, falar da natividade do menino Deus \u00e9 falar do seu desejo, para n\u00f3s. M\u00e3os que se tocam, abra\u00e7os que se d\u00e3o, cenas da vida que aquecem o cora\u00e7\u00e3o, v\u00e9spera de Natal. Que o menino Deus construa uma manjedoura no centro dos cora\u00e7\u00f5es para que o seu Reino venha sem demora!<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":913,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26,27,47],"tags":[69,76,128,189,215,295],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-moralidade","category-everton-almeida-pereira","category-teologia","tag-biblia","tag-capitalismo","tag-emanuel","tag-jesus","tag-natal","tag-valores-cristaos"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905"}],"collection":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/krisis.univasf.edu.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}